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27.07.2020

Edição de live ESV debate Raça, gênero e mundo do trabalho

Os desafios dos jovens negros no mercado de trabalho e o papel de todos os cidadãos na construção de um mundo com mais equidade foram temas abordados em uma live inspiradora realizada no perfil da Escola Social do Varejo do Instagram (@esvnacional) no dia 23 de julho. O bate-papo contou com a presença de Selma Moreira, Diretora Executiva no Baobá – Fundo para Equidade Racial, que compartilhou sua história de vida e falou sobre a importância da representatividade.

No dia 25 de julho, é celebrado o Dia da Mulher Negra Latina-Americana e Caribenha, e no Brasil, desde 2014, também é comemorado o Dia Nacional da Mulher Negra. Tendo a data como inspiração, o live debateu “Raça, Gênero e Mundo do Trabalho”, tema importante para os jovens da Escola Social do Varejo. Segundo levantamento feito no ano passado, 66% dos jovens que já passaram pela ESV são melhores e aproximadamente 70% são pretos e pardos.

Selma contou sua trajetória como menina nascida em uma família de origem simples na periferia de São Paulo, filha de migrantes de Minas Gerais e da Bahia, e falou dos desafios que enfrentou para conquistar novos espaços. Nesse processo, ela considera como fatores direcionadores o modelo de família, o cuidado com a educação e saber lidar com as falhas. “É importante a gente acreditar que pode estar onde desejar estar. Pode ser mais ou menos fácil, mas fazendo os esforços e buscando os caminhos e as conexões, isso pode acontecer.”

Confira aqui a íntegra da conversa.

Início da carreira no varejo

Selma começou a trabalhar com 15 anos como empacotadora na antiga loja do Walmart de Osasco, atual BIG. “Quando coloquei meu pé no varejo, comecei a entender a mudança que aquilo podia significar”, relata. A vivência em uma empresa americana, em que havia muita gente falando inglês, aguçou a curiosidade e a vontade de aprender coisas novas.

Nos 13 anos em que ficou no varejo passou por diversas áreas, sempre buscando aprender e estudar, e ficou atenta a processos de seleção internos. “Eu tentei nove processos seletivos e recebi oito ‘nãos’, por diferentes razões, porque eu não tinha os requisitos necessários. Por isso falo da importância da resiliência, de cair e levantar.” Com cada “não”, buscou entender o que faltava em suas habilidades e também usou isso para aprender sobre si e o que queria para sua vida.

No último processo, tinha acabado de se matricular na faculdade de Administração de Empresas e conseguiu uma oportunidade na área jurídica para cuidar da parte administrativa. Nessa época, identificou o interesse por temas de comunicação e relações com a comunidade. “Isso fazia muita referência à minha vida, porque passei por programas sociais, fui atendida em ações em função de minha história periférica. E entendi que queria usar meu talento pra atender outras pessoas também.”

A área originalmente estruturada como Relações com a Comunidade acabou se transformando no Instituto Walmart, há 15 anos, e que hoje é o Instituto Grupo Big. Quando deixou a empresa, Selma era gerente de Responsabilidade Social do Instituto. “Eu estava lá quando o instituto nasceu. Para mim, estar aqui hoje é uma alegria porque me traz essa memória afetiva de um lugar onde aprendi tanto e me desenvolvi.”

Selma afirmou que a faculdade foi muito importante em sua vida, mas que aprendeu demais na prática e com pessoas que contribuíram para sua evolução profissional. “Eu tinha déficit de língua portuguesa e matemática, mas sempre tive pessoas que me acolheram e auxiliaram meu processo de desenvolvimento para que eu pudesse melhorar minhas competências e qualificações. E eu sempre tomei isso como uma contribuição para meu desenvolvimento e não como uma sinalização de que eu era ruim em alguma coisa.”

Nessa trajetória, fez pós-graduação em comunicação e MBA em empreendedorismo social. Trabalhou em outras empresas com projetos de sustentabilidade e geração de renda e também em uma universidade.

Racismo e desigualdade

A chegada, em 2014, ao Baobá – primeiro e único fundo dedicado exclusivamente à promoção da equidade racial para a população negra no Brasil – passa a dar significado a parte de um sofrimento que não era suficientemente nítido. “Aí eu me situo no mundo e entendo que o eu vivi na escola, no trabalho e nas mais diversas relações não é ‘porque sim’, é porque eu sou uma mulher, negra e periférica.”

Selma falou sobre as desigualdades sociais no Brasil, em que os negros e, especialmente as mulheres negras, fazem parte da base da pirâmide, com menor renda e menos acesso à educação. Ela relatou que muitas vezes seu exemplo pessoal e tudo o que conquistou são usados para mostrar que é possível chegar longe quando se tem vontade. “Mas não é o indivíduo apenas. Tem muito da ação do indivíduo, mas há sistema todo que impulsiona esse indivíduo para ter mais ou menos dificuldades. É preciso ter nitidez desses desafios.”

A diretora do Baobá relatou experiências ao longo da vida e da carreira profissional em que vivenciou situações de racismo. Ela também relembrou a história da escravidão no Brasil e falou sobre a tentativa de reduzir as desigualdades com sistemas de cotas. Reforçou também a importância da representatividade e de ter pessoas negras em posições e profissões diversas para inspirar as novas gerações.

Selma comentou sobre a mobilização com o lema “Vidas Negras Importam”, que se espalhou após a morte do George Floyd, um homem negro, asfixiado por um policial branco na cidade de Minneapolis, nos Estados Unidos. “A gente viu todo um movimento que repercutiu no mundo todo e agora ninguém mais fala sobre isso. Todo dia a gente tem uma informação de violência contra negros nas comunidades no Brasil. Como podemos seguir com essa violência contra a população negra em 2020?” Ela ressaltou que é papel de todos combater o racismo em todos os lugares, na escola, no mercado de trabalho e nas ruas.

Ela também falou sobre o Baobá, fundo que financia projetos e indivíduos que buscam promover a equidade racial. Recentemente, o fundo lançou o Programa Já É: Educação para a Equidade Racial, voltado para jovens de 17 a 25 anos da região metropolitana de São Paulo. As inscrições estão abertas e o processo seletivo irá acontecer ao longo do segundo semestre. Os jovens selecionados receberão bolsa de estudos em cursinho preparatório para o vestibular e terão atividades voltadas para o enfrentamento dos efeitos psicossociais do racismo e para a ampliação das habilidades socioemocionais e vocacionais, incluindo programa de mentoria.

A ESV tem realizado lives quinzenalmente em seu perfil no Instagram. Entre os temas já abordados, estão saúde mental na pandemia, informações sobre o coronavírus, mercado de trabalho e fake news. Siga o perfil e acompanhe as próximas edições.

Por Luciana Cavalini - Tags:

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